O navio que transforma água em combustível
O JAQ H1 do Brasil está navegando rumo ao futuro — movido a hidrogênio verde produzido a bordo, deixando apenas vapor de água em seu rastro.
Imagine uma embarcação que extrai sua própria energia diretamente do oceano — transformando a própria água ao seu redor em hidrogênio como combustível e, em seguida, navegando movida apenas pela química e pela ambição. Esse navio existe e foi construído no Brasil.
INOVAÇÃO VERDE · TECNOLOGIA MARÍTIMA · BRASIL
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O JAQ H1 é uma embarcação de 36 metros que, discretamente, tornou-se uma das referências mais importantes da engenharia marítima do planeta. Construída pela JAQ Apoio Marítimo, do Grupo Náutica, e equipada com tecnologia de célula de combustível de hidrogênio da GWM Hydrogen, ela fez sua estreia mundial na COP30, em Belém, no Pará — atracada como um símbolo vivo e palpável do que a inovação limpa pode oferecer já agora, e não em 2050.
36 m de comprimento da embarcação JAQ H1
- Redução de 80% nas emissões de CO₂ em comparação com o diesel
- R$ 150 milhões de investimento total no projeto
Combustível a partir da água do mar
A mágica está em um dispositivo chamado eletrolisador. Ao fazer passar uma corrente elétrica pela água, ele divide o H₂O em suas moléculas constituintes: hidrogênio e oxigênio. Esse hidrogênio é então alimentado em células de combustível fabricadas pela divisão FTXT da GWM, que o convertem em eletricidade por meio de uma reação eletroquímica. O único subproduto? Vapor de água puro — totalmente inofensivo aos delicados ecossistemas marinhos que a embarcação foi projetada para estudar.
Atualmente, todos os serviços de hospitalidade a bordo do navio funcionam com esse sistema: iluminação, ar-condicionado, cozinha, lavanderia, água quente e entretenimento. Cada quilowatt-hora que alimenta a cabine de um hóspede provém de hidrogênio verde, com zero emissões de carbono nessa parte das operações.

“Depois de décadas no setor náutico, percebi que não bastava aproximar as pessoas da água — precisávamos mostrar como navegar de maneira verdadeiramente consciente.”
— Ernani Paciornik, fundador e presidente da JAQ / Grupo Náutica
Uma missão em três fases rumo à autonomia completa
O projeto se desenrola em etapas — uma marcha metódica em direção à autossuficiência total no mar.
- Fase 1 · 2025 Hospitalidade sem emissões de carbono. O JAQ H1 estreou na COP30 com todos os serviços a bordo — iluminação, ar-condicionado, cozinha, lavanderia, entretenimento — funcionando inteiramente com hidrogênio verde. Emissões zero no interior da embarcação, conforto total a bordo.
- Fase 2 · 2026 Propulsão híbrida. Dois motores MAN estão sendo instalados, permitindo uma mistura de 20% de hidrogênio no sistema de propulsão — reduzindo a emissão total de CO₂ em até 80% em comparação com a operação a diesel puro.
- Fase 3 · 2027 Produção total de hidrogênio a bordo. A embarcação irmã JAQ H2 (50 metros, projetada para pesquisa em águas profundas até 300 m) contará com um eletrolisador a bordo capaz de produzir hidrogênio verde no mar e abastecer ambas as embarcações — independência energética total.
Um laboratório flutuante para as águas do Brasil
Além de sua história de engenharia, o JAQ H1 tem uma alma científica. Sua missão é percorrer os 7.491 quilômetros do litoral brasileiro e a vasta rede fluvial de 105.000 quilômetros da bacia amazônica, atuando como um laboratório flutuante avançado. Os pesquisadores a bordo estudarão biomas marinhos e fluviais, protegerão os recifes de corais e fornecerão dados para o programa Década dos Oceanos da UNESCO.
No início de 2026, o navio embarcou em sua “Water Tour” — uma viagem pelas cidades portuárias brasileiras, chegando primeiro ao Maranhão, transformando a embarcação em uma sala de aula itinerante. Alunos locais, cientistas, engenheiros e autoridades portuárias foram convidados a bordo para testemunhar a tecnologia em primeira mão e compreender que a transição energética no transporte marítimo não é mais um sonho distante.
A parceria por trás dessa inovação
O projeto é uma colaboração entre o Grupo Náutica, a Itaipu Parquetec — um parque tecnológico sustentável pioneiro com mais de uma década de experiência em hidrogênio verde — e a GWM, montadora chinesa cuja divisão de hidrogênio, a FTXT, fornece as pilhas de células de combustível. O investimento de R$ 150 milhões foi levantado inteiramente de fontes privadas, uma prova da confiança comercial na tecnologia.









